ROTEIROS & DICAS

Cuba | Fui RAPTADA em Havana

Pensei tanto se escrevia este post ou não.

Quando escrevi este post (Cuba | O povo que me DESILUDIU) sobre os cubanos, recebi vários tipos de mensagens.

Umas pessoas diziam que eu estava a generalizar (não estava e deixei isso bem claro no post), outras diziam que tinham sentido a mesma coisa e outras, ainda, que eram cubanas e que se sentiram ofendidas.

Lamento que se tenham sentido ofendidas, não foi esse o objectivo.

No entanto, sempre que viajo e alguém me diz que foi enganado em Portugal num restaurante, ou por um taxista, ou por algum tipo de profissão ou por qualquer pessoa eu não me sinto ofendida.

Infelizmente acontece, aqui, em Cuba e em todos os lugares do mundo.

Viajo muito e sinto isso em cada cidade que conheço.

Mas decidi que partilharia este episódio, que, sinceramente, não gosto de recordar, para que percebam que a minha opinião tem fundamento.

Ainda que não generalizando, aconteceu-me e sou livre de ter a minha opinião.

E também partilho como uma forma de alertar e evitar que vos possa acontecer o mesmo.

O que não me torna, de modo algum, numa pessoa xenófoba do povo cubano…

De todo! Até penso em voltar lá brevemente.

Num dos dias da minha estadia em Havana, havia uma daquelas datas locais, como se fosse um feriado.

Havia pouca gente na rua e quase nenhuma movimentação.

Agarrei na máquina fotográfica e fui em direcção à parte velha da cidade para me deixar encantar mais um pouco com aquelas ruas maravilhosas.

Ao que parece há uma prática muito comum feita por alguns cubanos, conhecida pelos turistas (que eu desconhecia), onde eles fingem que estão a passar pelas pessoas a caminho do trabalho e, de repente, começam a falar simpaticamente com os turistas e tentam vender um tour à cidade com um suposto primo.

Tudo assim muito tranquilo e como se fosse um acaso, mas altamente programado e premeditado.

São pessoas que vão dizer que acabaram de sair do emprego, normalmente empregos noturnos como hotéis e que foram colocar os filhos na escola e que estão de volta a casa para descansar.

Ou seja, são pessoas que tentam passar a mensagem que são boa gente e trabalhadores e que, por acaso, estão a ser simpáticos a sugerir que o primo costuma fazer este tipo de tours pela cidade.

E que como naquele dia específico a cidade estava mais vazia, iria ser difícil de encontrar alguém que o fizesse, mas que ela (a pessoa que me abordou) poderia fazer o favor de telefonar ao primo.

Eu tinha estado há pouco tempo na Tailândia, onde privei com as pessoas locais e foi sempre tranquilo, sem o mínimo problema, por isso, ainda estava embebida desse espírito e confesso que não pensei que me poderia estar a colocar em perigo.

Deixei-me ir na onda e achei que estavam a ser simpáticos, até porque estávamos a negociar o valor, portanto ninguém iria fazer um favor a ninguém.

Iria ser um serviço pago e tranquilo.

Mas não foi nada disso!

Entrámos no carro do suposto primo e fomos obrigados a andar às voltas, por onde eles quiseram, sempre a pedirem dinheiro ou a sugerirem que comprássemos coisas.

Quando quisemos parar e sair, não foi possível e tivemos que colaborar porque as coisas estavam a ficar “carregadas”.

Tentavam falar muito rápido para que não entendêssemos, mas sempre que percebia, com mais medo ficava.

Só via o carro a afastar-se do local de onde estávamos alojados, eles a levantarem o som da música sempre que passávamos por pessoas na rua, com medo que gritássemos a pedir socorro e chegaram, inclusivamente, a parar para um rapaz com muito mau aspecto e bêbedo vir connosco, no banco de trás a pedir mais e mais dinheiro naquele tom ameaçador…

Estavam sempre a falar de necessidades, que tinham muitos filhos a passar fome, que não tinham casa, que não comiam há dias, que não podiam ter nada…

Diziam com ar agressivo que o povo cubano não gosta de trabalhar, que gostam de acordar tarde e de beber, por isso, tinham que ganhar dinheiro de outra forma.

E riam muito! (acham graça… já eu nem por isso!)

Até o almoço tivemos que lhes pagar…

Foram umas 4 a 5 horas disto…

Não havia forma de sairmos de lá…

Confesso que senti medo, muito medo.

Quando começo a ver o carro a entrar em bairros muito destruídos, a passar por ruas completamente escabrosas e eles a pararem junto de pessoas com muito mau ar, a falarem sem que nós ouvíssemos e a pressionarem-nos para dar-mos mais dinheiro, achei que ia acabar enterrada em Havana.

No ultimo sítio que parámos, preparámo-nos para fugir…

E assim foi, acabou esta brincadeira.

Foi uma cena extremamente infeliz e carregada de “xico-espertice”…

Depois disso, tomamos todas as providências e soube que, afinal, isto acontece a mais pessoas…

No dia seguinte fiz uma enorme estupidez que me poderia ter saído muito cara.

Na torre do hotel onde estava alojada, reparei que na rua estava a mesma tipa com aquele ar de inocente pronta para enganar um casal inglês que deviam ter entre 70 a 80 anos, comecei a imaginar que eles iriam passar pelo mesmo que eu tinha passado no dia anterior e fiquei doida!

Filmei tudo, corri até ela a chamar-lhe mentirosa e a dizer que tinha filmado tudo e que ia apresentar queixa deles.

Tive sorte talvez, não o devia ter feito, mas eu estava com muita raiva daquela gente mentirosa…

Arrependo-me de o ter feito e não aconselho ninguém a fazê-lo.

Mas o impulso falou mais alto.

Aprendi e não o farei novamente.

O confronto poderia ter saído muito caro…

Aquela mulher falsa e todos os seus amigos tinham destruído o resto das minhas férias…

Mas tudo passou e o resto correu bem.

Quero apenas dizer que por isso e por tudo aquilo que disse no outro post (aqui), o povo cubano deixou-me triste, estava à espera de outra coisa…

No entanto, não foi por isso que decidi nunca mais lhes dar oportunidade.

Aliás, depois disso conheci na Jamaica uns cubanos incríveis, onde lhes contei esta história e eles ficaram tristes também e disseram que infelizmente não seria história isolada.

 

Até já!

 

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Créditos das fotografias: Até já!

 

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