ROTEIROS & DICAS

Copenhaga | O dia que jantei com a Máfia Russa!

Há sempre aqueles dias que ficam para a história…

E eu vou somando momentos desses nas viagens que faço!

Numa das minhas idas a Copenhaga fiquei 3 dias e a seguir ia para outro destino, então, no último dia, deu-me uma vontade doida de comer comida chinesa.

Sabem quando vos apetece algo que até salivam? Acho até que as minhas papilas gustativas já falavam chinês.

Mas, havia um problema, eu tinha que jantar muito cedo e encontrar um restaurante com bom ar e com jantar pronto perto das 18h30 e não estava a ser missão fácil.

Então, armada em esperta segui aquela máxima:

“Se vires algum chinês a entrar para um restaurante chinês, é porque a comida é boa!”

E pronto, assim fiz!

Vi uns 3 chineses a entrar para um restaurante e fui atrás. Estava na principal rua comercial da cidade: Strøget.

A entrada para o restaurante eram umas escadas que parecia que ia entrar para a casa de alguém. Bem sinistro…

O restaurante ficava no primeiro andar.

Era escuro, estranho e os empregados estavam com ar de caso.

Mas a minha vontade de comer comida chinesa era maior que qualquer rasgo de perspicácia.

Entrei toda inteira, perguntei se serviam jantar e apontaram para uma mesa, como quem diz:

“Filha tens ali um buffet…”

O restaurante estava quase vazio…

Quase, porque os três chineses que entraram à minha frente estavam lá.

Mas estavam apenas sentados de casaco de cabedal e com óculos escuros, sem pratos à frente…

Para mim, seria normal, deviam estar à espera de alguém, afinal ainda era cedo.

Começamos a comer, a comida estava longe de ser boa, mas a vontade continuava a ser tanta que me distraia do resto…

Até ao momento que sinto umas movimentações estranhas…

Começam a chegar umas pessoas duvidosas…

Cena típica de filme.

Um homem entre 50/60 anos, alto que nem uma torre, todo ele vestido de escuro, com ar de russo e com várias coisas em ouro que reluziam ao longe.

Atrás dele 3 homens, aliás, 3 ursos. Altos, grandes, peludos e com ar de assassinos.

Certamente, seriam os seguranças dele.

Então sentaram-se na mesa dos chineses e começaram a falar russo.

E eu entendo zero de russo.

Um pormenor que podia não ter qualquer importância, mas que dentro deste contexto foi no mínimo bizarro: eles cumprimentavam o homem do ouro com ar de assassino com beijinhos na cara.

Mas sou muito boa a entender expressão corporal e aquilo estava longe de ser um jantar de amigos.

Aquele povinho estava para lá de bravo e os capangas em pé prontos para aviarem os chineses em menos de um piscar de olhos.

E nós ali. Sentados. Os dois. E o pior?

É que para fugirmos dali tínhamos que fazer uma diagonal perto da mesa daquela malta.

E eles estavam cada vez mais exaltados.

E eu estou longe de ser a pessoa mais tranquila do mundo comecei logo achar que me iriam servir como porco doce no dia seguinte ao almoço de alguém.

Mas o pânico ainda estava por vir…

Eu estava de frente para a mesa deles e quando vi uma arma em cima da mesa percebi que agora sim, ia ver um russo a dar um tiro na cabeça do chinesinho…

E a partir desse momento deixei de ter planos para sair dali, aliás deixei de ter planos para a minha vida, o único plano foi continuar a fingir que não estava a ver nem perceber nada.

Fingir também que aquela comida não era uma merda e continuar a comer como se fosse o melhor petisco de sempre.

Afinal, podia sempre estar a comer o corpo de alguém que tenha sido morto alí no dia anterior…

Sabia lá eu, mas comia, conversava, ria, como se estivesse na boa.

Por dentro, já não havia gota de sangue…

Até que… o russo, a diva, levanta-se e diz qualquer coisa curto e rápido.

Guarda a arma e saiu com sorriso (quase amigável) na cara.

Já os chineses saíram acompanhados do capanga do outro…

Tudo isto num silêncio profundo, que assustava ainda mais…

Já nós, esperamos uns minutos que pareceram horas, pagámos e saímos com as pernas a tremer.

Sem olhar para trás e a fingir que tinha sido um jantar normal…

Uns tempos mais tarde, soubemos que é ali que a máfia russa faz “reuniões”.

E que aquele restaurante não vale nada, que é muito usado para esse tipo de coisas.

Sei ou não sei escolher?!

Por isso eu sei o que é ter sorte, porque não estar embrulhada em molho agridoce num prato de um turista qualquer é um grande golpe de sorte!

 

Mais posts de Copenhaga aqui.

 

 

Se quiser receber a newsletter do Até já,  basta inscrever-se na barra lateral lado direito.

Fico feliz por estarmos mais perto!

 

 

Já me seguem nas redes sociais?

Facebook | Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *